terça-feira, fevereiro 22, 2011

Irritação.

Irrita-me isto. Esta vontade de agarrar pescoços e ao mesmo tempo de me prender a ti.
Irrita-me como não podes imaginar.
Já chega. Hoje estou em pequenos pedaços. E irrita-me mais.
Quero-te perto, mas não de volta.
Quero-te sentir, mas não te ter.
E irrita-me só este querer absurdo.
Absurdo, sim.
É absurdo, irritante.
E não sei o que fazer com isto.
É o não saber que me irrita. A falta de controlo.
Há dias maus. Hoje é um deles.
E fazes-me falta, merda.
Isso irrita-me.


terça-feira, fevereiro 15, 2011

Hoje.

Quero ir hoje.
Agora que terminei um ciclo.
Quero ir no próximo instante.
Por que o que me prende aqui também quer que eu voe.
Escrevi "voar mais alto".
Eu disse-te. Disse-te que um dia ia voar.
Que não era mulher para me resignar.
Acomodar. Detesto isso.
Ficar à espera não faz parte. Já o fiz demasiado tempo.
"Este país não é para novos".
E, pelas notícias, não será para velhos.
Hoje é o dia.
Em que ganho mais um centímetro.
Em que respiro fundo e sinto o desejo.
De tocar esse mundo.
Quero muito. Quero tanto.
Sentir que sou mais do que isto.
Hoje é o dia em que decido que quero crescer.
E vou manter-me firme.
É isso: não me resigno.

domingo, fevereiro 13, 2011

êxtase.

êxtase.
de olhos fechados. vontades reprimidas.
e porque não?
não posso. não devo. não é correcto.
êxtase.
vontade. à flor da pele.
e apetece-me ir.
só porque sim.
apetece-me o êxtase.
tudo começou com um beijo.
foi?

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Papel antigo

Encontrei-te em antigos papéis.
Ensinamentos antigos. Palavras partilhadas e sentimentos cúmplices.
Encontrei-te aí.
E em mais lado nenhum.
Em mais lado nenhum.
E sinto-te assim.
Como um papel antigo.
Guardado numa gaveta, com o qual me cruzo por acaso.
Agora, neste instantes, estava a fazer planos.
Como um papel antigo.
Para descobrir de vez em quando.
E mais nada.

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Paris

Pode ser que te encontre por lá :)

quarta-feira, janeiro 26, 2011

O bichinho está vivo.

Faz assim. Com cuidado. Ao de leve, precavendo as complicações.
Persistência. Persistência. Persistência.
Que raio, persistir.
É bom saber que ainda aqui estás.
Quando parecia que estavas escondido.
Pertencer. Com persistência.
E sabe tão bem...

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Sim

Digo que sim.
Que podia ser.

Estou a bater à porta.
Deixa-me entrar.

terça-feira, janeiro 18, 2011

Parar

Sabes, há dias mais complicados. Quero que entendas assim: que há meses complicados. E cansaço acumulado. E vontade de desistir e mandar tudo à merda. Sim, gritar para aqueles que não nos ouvem que nós somos melhores do que o vizinho e que não devia ser preciso gritar. Porque sabemos que somos melhores. E piores que outros, claro.

Escrevo-te porque te vejo entre duas linhas distantes. Na corda bamba. A dançar sem ritmo. E sempre te conheci com ritmo. Com pressa. A correr. Escrevo-te para que congeles um pouco. Só um pouco. Para que possas decidir se queres saltar ou voar. E isto do voo é coisa complicada de se fazer. Mas não és pessoa para complicar, és?

Deixo-te Fernando Namora, para que entendas.

"Fora de ti há o mundo/ e nele há tudo que em ti não cabe."

Um beijo.


sexta-feira, janeiro 07, 2011

A sério?

Que estiveste aqui?
Que me abraçaste um dia?
Que disseste um para sempre a medo?
Que nunca me ias magoar?
Que precisavas de mim?
Que me amavas?

A sério?

Not.

sexta-feira, dezembro 31, 2010

Para o baú

Não gosto de balanços. Ou melhor, não gosto deste. Mas exige-se que o escreva. Para o guardar, para deixar ir, para ficar ali naquele baú, porque preciso de o fazer.

Começámos a terminar um projecto, com uma visita a uma cidade, à procura de uma casa que já não existia. Mas percorremos tudo. Até que encontrámos uma parede que tinha de ser. Ele tinha vivido ali. Fomos para perto da lareira. E ficámos ali, enquanto adormecemos. Depois, veio o frio. Começámos a gelar. Fui crescendo. Parando aqui e ali a observar pormenores.

Emoções. Confusas e necessárias. Parar, largar, aprender, amar. Paixão. Testes, sem tempo. Nervos. Estava a ser posta à prova. Passei, com distinção. Aprendizagem. Descanso. Mimos perto da família. Decisões, sempre a pairar, a pairar ao de leve, como se estivessem apenas a bater à porta, mas não quisessem entrar.

Fui, sorri. Voei um pouco naquelas praias desertas. Naqueles finais de tarde a conversar sobre tudo. Relações, enganos, generalizações erradas e tão certas. Porque nós agora somos mais práticas e os homens mais sensíveis. Sim, é isso que está a acontecer. E os homens, pobres coitados, não sabem muito bem naquilo em que, de repente, se tornaram. E aquela bola de berlim, entre sorrisos e partilhas. Numa viagem para Lisboa com desabafos.

Passo a passo. E as decisões. Precisava de pôr os pesos na balança. Esse mês de todas as decisões. Aquelas que andavam a pairar, lembram-se? E pesei. E reagi. Fuga, cobardia, tempo. Desenlace. Aprendizagem. Gosto desta palavra e pode bem ser a única pela qual realmente me apaixonei neste ano que passa.

Aprendi a erguer muros, que somos nós em relação e nós sem relação com aquilo que restou dela. Confuso? Os pedaços que ficam têm de ser bons. O resto, para o baú. A tal aprendizagem, a que fica. Entre momentos de raiva. De inconsciência. De irracionalidade.

E decidi no final do ano que vou voar de vez. Vou tentar, pelo menos. Porque a aprendizagem também tem destas coisas. Sabes, não nos podemos queixar e ficar à espera que o mundo nos bata à porta. Não podemos querer ser felizes assim, sem coragem.

Sim, acho que é isso. Estou mais corajosa. Tenho medo. Continuo a ter medo. Mas isso não me impede de decidir.

Sabe bem fazer por mim. Sem prisões.
O resto, vai para o baú.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Aprendiz

O tempo.
"Gosto dos teus lábios."
E um sorriso.
E um beijo.
Parece-me bem.
Ainda bem.
Que aprendi com o tempo.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Na biblioteca

Gosto de ler. Não, não têm de ser as opções claramente intelectuais. Não sei se terá alguma coisa a ver, mas sou uma mulher prática e, salvo raras excepções, dispenso o que seja demasiado meaningless para mim. Isto tudo, porque lembrei-me no outro dia como os pequenos pormenores fazem a diferença.

Tu, nunca soubeste ler. Também nunca mo disseste, sendo que não precisaste de o fazer. Lembro-me dos dias de Inverno e Primavera em que me levavas à biblioteca do Parque. O ranger da porta. Um cheiro a livros velhos, a antigo. Um cartão preenchido à mão. Requisições delivros. Lembro-me que, no princípio, era a senhora da biblioteca que as escrevia. Isto quando levava para casa. Porque também me recordo dos dias em que nos apetecia ficar ali, sentadas naquelas mesas redondas, de carvalho já gasto, rasuradas e preenchidas com restos de tinta. Eu lia e tu ouvias-me com atenção. Nunca percebi que não sabias ler. Na verdade, nunca me recordo de ter tirado contigo uma dúvida. Provavelmente conseguias esconder essa falha, incutindo-me a vontade de descobrir. Não me lembro. Fiquei com essas memórias de pequena, em que o cheiro dos livros velhos me deixava encantada.

Sabes quando percebi? Não, como disse. Nunca mo disseste. Num acto de ingenuidade infantil pedi-te para veres se tinha uma palavra bem escrita quando requisitei um livro. Não deste o braço a torcer. Disseste-me apenas, serenamente: "Pergunta à senhora, que ela diz-te." Eu percebi. Era ingénua, mas esperta. Não disse nada. Não precisei de o fazer. E, agora, que recordo todos esses momentos, não sei como te agradecer.

Queria apenas sorrir para ti, com um olhar malandro, e enrolar o cabelo, para que logo que dissesses em tom de brincadeira: "Larga o cabelo, que estás a enrolar a vida". E se soubesse o que sei hoje, bem que te tinha dado ouvidos. Que possas tu sorrir para mim, agora que leio todos os dias. E que posso escrever para ti.

Um dia, volto àquele cantinho. A biblioteca mudou de sítio, mas a porta continua a ranger.

quarta-feira, novembro 24, 2010

Não

Nada daquilo aconteceu.
É engraçado como se apagam estórias, não é?
Nunca pensei que fosse assim tão fácil.
Mas, mais uma vez, nunca pensei muita coisa.
Maltida ingenuidade. Da próxima vez já sei.
E o muro está novamente de pé. Para ficar.

segunda-feira, novembro 22, 2010

Entre aspas III

As pessoas quando gostam, precisam de se tocar.
Palavras sábias.

terça-feira, novembro 09, 2010

Entre aspas II

Caga e põe ao peito.
Ouvi, interiorizei e pareceu-me ainda melhor.

quarta-feira, novembro 03, 2010

Entre aspas

Não acabei de te amar.
Ouvi, interiorizei, e pareceu-me uma boa frase.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Saudades tuas.

Soube, em conversas que surgem quando menos esperamos, que não quiseste lutar. Desculpa, que não quiseste mais sofrer. Disseram-te o que tinhas e, conscientemente, optaste por não te (nos) fazer passar por aquilo que pensavas ser sofrimento desnecessário. Hoje, sei que se sou parecida com a alguém, só pode ser contigo.

Detestavas estar doente. Tinhas fobia. Desaparecias do mundo e ficavas no teu canto. Soube, naquela conversa, que optaste de forma corajosa - há, de certeza, quem tenha outra opinião -, que não querias acabar assim os teus dias. Conseguiste jantar connosco no dia de Natal e ver-nos a sorrir - ainda que estivesses no teu canto - pela última vez. E guardo de ti, entre memórias felizes, esse dia de Natal, em que todos estavam com receio. Menos tu, que não querias sofrer. Que não nos querias dar falsas esperanças.

Sabes, nunca te disse o quanto me fazes falta. Nunca tive oportunidade de o fazer, porque quando esperava voltar a ver-te, disseram-me que já não estavas. "Já?" Não podia ser, porque eu queria-te dar mais um beijo. Mais um abraço. Dizer-te o quanto te admiro. Sim, ainda hoje. Dizer-te, hoje, quantos pedaços de ti vivem hoje em mim. Que me fazes mesmo falta.

Recordo-me daqueles gritos autoritários quando não te deixávamos estar em paz contigo. E até isso eu guardo com carinho, consegues perceber? Foste cedo demais - não vamos todos? E não me conseguir ir despedir de ti. Espero que me perdoes. Sabes que tenho fobia. Como tu. Que para mim não faz sentido. Não fazia sentido ver-te assim. E espero que percebas que prefiro aquela última imagem do dia de Natal.

Guardo de ti a memórias das tuas mãos enormes. Da forma como as esfregavas. Das sardas e dos sinais que as preenchiam. E da tua força. Sei, que nesse ano, herdei também um pouco dessa tua garra. E que ficaste feliz por isso. O Tomás disse que quando morresse queria ser pintado de azul. Preferia o azul ao teu amarelo. Ele tinha cinco anos. E são as coisas que guardo na memória ainda hoje.

Não, não é nenhuma data especial. Hoje, senti-me com forças para matar saudades tuas. Para te recordar de novo, com calma. Serenamente. No meu canto. Pouco tempo depois de saber que decidiste o que querias. E, não me expliques porquê, mas isso deu-me uma imensa sensação de tranquilidade. Estou mais perto de ti agora.

E, sim, continuo com umas saudades imensas. De quando ralhavas comigo porque me tapava com os lençóis antes de adormecer. Eu tinha medo, ainda hoje tenho. E tu, receavas que sufocasse. Era assim que dizias que me amavas.

sexta-feira, outubro 08, 2010

Aqui

Para saberes que vi.
Para evitar males maiores.
Estou a tratar de mim.

terça-feira, setembro 28, 2010

Sim

Vai passar.
Vai passar.
Um dia vai passar.

domingo, setembro 26, 2010

Assim

Obrigada.
Por me deixares ficar aqui.
E, assim, de repente, pareceu-me a mais sincera demonstração de carinho.