segunda-feira, junho 16, 2008

Níveis

Não havia um só caminho, como quase sempre lhe acontecia. Pequenas vertentes de pensamentos racionais que não chegavam - e não chegam - para se subtrairem. Somam-se, consomem-se e não se explicam.

Hoje, o barco anda à deriva. Mas é constante, insaciável, persistente. Vai partir, mas volta. Como sempre, com mais força. E aqueles que são destemidos - os outros - não encontram as âncoras e voltam a partir. Ela, gosta de ser assim. E quando abre a janela e os raios de sol lhe dão festas, logo pela manhã, deseja - apenas naquele instante - ficar ali a receber um pouco mais de tudo.

Ali, ao sol. Com asas. Pronta para largar tudo.

segunda-feira, maio 12, 2008

Passo em frente

Poderia querer dizer outra coisa qualquer. Mas não disse e deixou que o silêncio (não) falasse por ela. Deixou os lábios entreabertos, prontos para deixar escapar aquela frase. Mas suspirou fundo e deixou que aquele véu de pensamentos se esbatesse por entre rasgos de luar. 

E só depois arriscou. Decidiu. Voou mais alto. Com medo, sim. Mas decidida. De inércia estou eu farta, pensou entre imagens que lhe vinham à cabeça. Situações, lembranças, saudades. Muitas. Mas agora não é tempo de pensar nisso. No que passou. Aprender, perceber e captar o essencial.

Em mim ficou o que basta. E isso chegou até um certo ponto. Agora, quero sentir outra vez o fulgor de uma aventura diferente. Mérito. Sem mais nada. E isso foi o mais importante para que captasse o essencial.

Fui.

segunda-feira, março 10, 2008

Ingenuidade

Acordamos, e pensamos que nada daquilo poderia estar a acontecer. Naquele sítio, àquela hora, naquele momento. Mas estava. Ia seguir pelo melhor caminho. Sem medo, como sempre aconteceu. Atrapalhado, corado, mas decidido. Sem cinismo, com frontalidade e com vontade, muita vontade. 

E quem ali ficou sabia que não seria para sempre. Aquele estado de ser e não ser. De fazer e apagar. De sentir e imaginar que se sente. A fachada de um sentimento para além do explicável. E agora? - perguntava ela com as lágrimas perto de escorrerem pela face. Pensava a criança que tudo se iria resolver. Que aquilo não era mais do que um pequeno sonho mau. 

Mas a vontade de destruir toda aquela autocracia desmedida era mais forte. Bem mais forte. Ingénua ao ponto de pensar que tudo aquilo não seria real. Mas aquilo não foi o suficiente. De dia para dia, a realidade ficava mais cruel. Os princípios são outros, pensava ela. Ou melhor, não são princípios porque quem rege a sua vida por estes ideais não é feliz, nem pessoa. É um medíocre, como ele próprio tinha já dito.

A criança ali ficou. Ingénua, mas mais forte. A tentar adaptar-se a uma situação que até agora desconhecia. Aos reles princípios de alguém que ultrapassa obstáculos, derrubando os melhores. Sem perceber que vai precisar deles. Ou então não, porque na reles mediocridade não existe o reconhecimento do outro. É pena. 

Mas a ingenuidade, essa, já não é a mesma. E isso, ela deve-o a ele.Ponto final.

Parágrafo.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Contrastes


Dias em que uma pequena melodia faz escorrer lágrimas, daquelas de quem há muito tínhamos saudades. E queremos descobrir porque razão sentimos o coração a ser esmagado, devagarinho. Pequenas pressões. Pontos de interrogação. Dúvidas. Tormentos. Sufocos. E a sensação que não devíamos estar onde estamos, que o lugar não é o certo. Que o tempo deveria ser outro. E quando acordamos deste sono leve, que não nos deixa descansar, chove a potes lá fora.
Olhares desviados. Pensamentos contrários. Atitudes irracionais. Comportamento incógnito. As palavras, já alguém dizia, acabaram-se as palavras? O silêncio. E os olhares. Um misto de ternura e distância. O sufoco, de novo. A lembrança e a dor. E tudo seria tão mais simples e inócuo se procurássemos distinguir o preto do branco, o sol da lua, o frio do quente, a neve do sol. Mas não. Eu procuro o meio termo. 
Nunca fui muito de extremos. Às vezes acho que deveria ser mais vezes de extremos. Preto no branco. Talvez fosse mais fácil. Um ponto de final. Um voo nocturno. Asas de esferovite e pedaços de nuvens. Um encontro longe do pôr-do-sol. Mais perto. Mais distante. Dor. Silêncio. Fuga. Partida.
E os raios cá dentro. Fujam depressa.

sábado, dezembro 08, 2007

Novos ventos, quem sabe refrescantes?

A razão desta silêncio não é a falta de vontade. Não é a falta de tempo. Não são todas as desculpas que poderia inventar. Mas a dificuldade em escrever tudo quando sinto muito mais do que isso. Apontar cada pequenino momento, cada pensamento, cada instante de loucura.

Desde o último post que escrevi já correu muita água: comecei um estágio, acabei um estágio, comecei um curso, comecei outro estágio, recebi o certificado de habilitações, acabei o curso. Sim, não é muito. Há vidas que serão, sem dúvida, mais interessantes e quem sabe dignas de uma boa biografia. A minha não. Porque apesar de ter o meu sonho nas entrelinhas de tudo o que fiz nestes últimos seis meses as palavras parecem escassear.

"O sonho comanda a vida" - utopia? Até pode ser, mas como diz alguém que partilha comigo esta "loucura"..."quero viver este sonho". Tudo o que nos foi ensinado é esquecido ou posto de lado. Mas erguemos outro património...o da partilha. Ideias, sentimentos, valores, confrontos, discussões...sonhos. E foi aqui que começámos a ser um bocadinho mais do que éramos muito iniciamos este longo percurso...e por saber que foi aqui que comecei a ser mais a Catarina que hoje conhecem, não quero sair desse cantinho só meu.

Não. E por isso não queria escrever. Falta tudo (ou quem sabe muito mais).

P.S. Optimismo!

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domingo, junho 24, 2007

Ser feliz

"Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios. Períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar o oasis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um não.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo..."

Fernando Pessoa

terça-feira, maio 29, 2007

Grão de Amor


"Me deixe, sim
Mas só se for pra ir alí
E pra voltar

Me deixe, sim
Meu grão de amor
Mas nunca deixe de me amar

Agora, as noites são tão longas
No escuro eu penso em te encontrar
Me deixe, só até a hora de voltar

Me esqueça, sim
Pra não sofrer,
Pra não chorar,
Pra não sentir

Me esqueça, sim
Que eu quero ver
Você tentar
Sem conseguir

A cama agora
Está tão fria
Ainda sinto o seu calor

Me esqueça, sim
Mas nunca esqueça o meu amor"

Vou pôr-me ali à janela, a espreitar as estrelas e a receber uma brisa de ar fresco..

terça-feira, maio 01, 2007

Caminho

Existem pequenos grandes momentos que exigem mais de nós do que eventualmente pensaríamos...
Rasgam, cortam, ferem, magoam e voltam a magoar.
Percorremos, com pequeninos passos, um pouco desse caminho que parece não ter fim. Buscamos muito mais do que queremos. Somos ambiciosos. O suficiente?
E depois pensamos "o que será que faço aqui?"
A resposta, essa, não surge. Mas tambem não importa. Havemos de continuar a seguir esse caminho. Foi esse o objectivo que traçámos. Irrita. Parece não fazer sentido.
A harmonia de outrora esconde-se por trás de nuvens negras, cinzentas, carregadinhas de chuva. Mas não chove. Só troveja. E parece que o céu vai explodir.
O caminho continua matreiro. (Sacana que ele é!)
E depois, todos "os concursos de beleza", dia após dia, ano após ano. Até termos coragem para dizer "chega!!".
Sim, o caminho não é fácil. Será sempre mais e mais matreiro.

sábado, janeiro 27, 2007

Sim!



É um problema de consciência? Então deixem-nos ter a oportunidade de escolher e deixem a que a consciência funcione para cada qual como deve funcionar. Não nos obriguem a ter que fazer algo contra a nossa consciência...isso sim é um crime. Sim à despenalização!!

terça-feira, janeiro 23, 2007

K's Choice

Shadowman

"Any time tomorrow I will lie and say I'm fine
I'll say yes when I mean no
And any time tomorrow
The sun will cease to shine
There's a shadowman who told me so

Any time tomorrow the rain will play a part
Of a play I used to know
Like no other
Used to know it all by heart
But a shadowman inside has let it go

Oh no, let go of my hand
Oh no, not now I'm down, my friend
You came to me anew
Or was it me who came to you
Shadowman, shadowman

Any time tomorrow a part of me will die
And a new one will be born
Any time tomorrow
I'll get sick of asking why
Sick of all the darkness I have worn

Any time tomorrow
I will try to do what's right
Making sense of all I can
Any time tomorrow I'll pretend to see the light
I just might
Shadowman

Oh here's the sun again
Isn't it appealing to recline
Get blinded and to go into the light again
Doesn't it make you sad
To see so much love denied
See nothing but a shadowman inside

Oh no, let go of my hand
Oh no, not now I'm down, my friend
You came to me anew
Or was it me who came to you
Shadowman

Oh, if you're coming down to rescue me
Now would be perfect
Please, if you're coming down to rescue me
Now would be perfect

Oh, if you're coming down to rescue me
Now would be perfect
Please, if you're coming down to rescue me
Now would be perfect"

K's Choice

Sabe-me bem reviver estas músicas, sentí-las, apreciá-las..sem nada mais à minha volta a não ser a letra que ecoa...
Beijo*

sábado, janeiro 20, 2007

Uma outra coisa


Subi as escadas apenas para te dizer que sinto um vazio em mim. Qualquer outra coisa, que não é um sentimento alegre. E empurro-te, sem querer e sem vontade.
Não tive coragem. Voltei a descer, o orgulho é muito forte. Pego num lápis, decidi escrever-te. É tão mais fácil, menos doloroso, mais cobarde. Não me importo. Sou assim, de vez em quando. Faltam-me as forças e caem as lágrimas. As linhas surgem, tortas e imperceptíveis, quem me manda gostar de escrever em folhas lisas? Espero que não te importes. É mais um traço da minha imperfeição. Mas dizes gostar de mim assim. E eu acredito.
Volto a descer as escadas. Deixo o bilhete ao pé do tapete (espero que não voe e que o vizinho o veja, apesar de tudo escrevi-o apenas para ti, não para um qualquer desconhecido). Sinto-me sem forças e há qualquer coisa cá dentro que não funciona.
Quero acender um cigarro. Mas não. Deixei de fumar. Uma decisão que quero manter. Agora, o cheiro a cigarros enjoa-me, faz-me sentir suja.
Espreito pelos cortinados para ver como está o tempo (quando desci as escadas a cobardia não me permitiu olhar pela janela). Chove. A potes. Estes dias são realmente uma outra coisa que não consigo definir. E sinto a tua falta. Já to disse. Espero que tenhas lido o que escrevi ("Desculpa, amo-te", podias ler). Podia ter-te dito isto pessoalmente. Mas o dia não deixou. Está a chover a potes, lá fora e cá dentro. Tenho que encontrar o chapéu-de-chuva urgentemente...

terça-feira, novembro 28, 2006

Lisboa, menina e moça...

Decidi ir passear pela Baixa lisboeta.
Meti-me no típico amarelinho autocarro da carris e ali fui eu, desde o Campo Pequeno até aos Restauradores. O trânsito estava caótico, as pessoas impacientes (se soubessem como isto me transtorna de há uns tempos para cá...), a correria do costume deixa-se observar pela transparência(?) das janelas do meio de transporte que escolhi.
Passo pelo Saldanha, Picoas (e vejo o meu prédio lá bem escondido atrás do Palácia; sim, porque sou muito fina, dizem por aí...), Marquês e páro, ou melhor, o amarelinho pára. O caos que se instalou nesta zona (cheguei à conclusão que está assim desde que vim para o primeiro ano da faculdade....) é arrepiavelmente insuportável. Se quero sair na paragem para minha casa tenho quase que dar a volta è rotunda para atravessar a estrada. "O túnel vai abrir em Março", diz Carmona Rodrigues. "Tá bem tá", digo eu e a maioria dos lisboetas. Pede ajuda ao Santana Lopes pá! Ai não, ele provavelmente já deve ter dado a desculpa de que o estado desta zona da capital foi resultado da conspiração contra a sua pessoa, feita por Cavaco Silva/Jorge Sampaio/Marcelo Rebelo de Sousa - o trio maravilha. Passemos à frente que isto dá pano para mangas.
Finalmente chego à Avenida da Liberdade. E como é bonita!Sim, pode bem ser a Avenida mais poluída do mundo, mas não deixa de ter o seu encanto. Os varredores procuram deixar a cidade um pouco mais limpa (uma árdua tarefa tantas vezes menosprezada...), esquerda, direita, pá, vassoura, contentor. A cara triste e desgastada. Um semblante deveras penoso. Uma menina morena, de olhos castanhos passa por um varredor e diz-lhe adeus, sorrindo. O homem retribui, e julgo ter visto naqueles olhos bem escuros, um brilho que se seguiu de um sorriso, que mal deu para ver os dentes. (O senhor condutor parou o transporte público para efectuar a troca de turno).
Desço um pouco mais da Avenida e vejo um casal de namorados (por volta dos 20 anos) à espera do autocarro na paragem. Brincam, fazem cócegas um ao outro, sorriem e dava para ver que eram felizes. A alegria era tão contagiante que, quando olhei para a senhora que estava ao lado, também ela sorria (mas a medo, disfarçando não fosse poder ser crime compactuar com tal demonstração de amor e carinho). E sorri (não, não disfarcei, portanto podem bem ter-me tomado por louca), e olhei para o fundo da Avenida. O amarelinho paráva nos Restauradores ("façam o favor de sair", diz o motorista) e eu saí.
Encaminhei-me para o Rossio. Passei pela Rua Augusta, pela Rua do Ouro e a correria era mais que visível. Eu ia devagar, estupidamente devagar diga-se. Estava na esperança de poder ver as luzes de Natal acessas, mas a minha mãe telefona-me e informa-me "Não filha, em Lisboa só se acendem dia 1 de Dezembro"..."rais-parta" a contenção de custos! A Baixa tem outro sabor no Natal. Tem outro cheiro. Tem outro paladar. E eu só queria que as luzes estivessem acessas para que o ambiente fosse ainda mais perfeito! Tive que me contentar com o facto de todos os artefactos já estarem expostos.
Fui até ao Terreiro do Paço, ou Praça do Comércio, como lhe queiram chamar. Senti o cheiro do Rio Tejo (sim, ao longe, mas senti) e sentei-me. Continuei a observar a correria. Será que ninguém tem pelo menos uns minutinhos para se sentar um pouco, para parar e não fazer nada? Depois lembrei-me que estava na capital, "onde tudo acontece". E lembrei-me que devia estar a fazer qualquer coisa para a faculdade (pois é, devia!). Mas a Baixa chamou-me e eu nunca lhe digo que não. Porque hoje, sou mais lisboeta.
Porque hoje não me imagino sem esta correria (que tanto me transtorna). Porque também eu corro tantas vezes (embora quase nunca o deseje). Porque aprendi a gostar desta "confusão". Voltei para casa a pé. Assim é mais fácil sentir-te...
(Para vocês, que estão longe, matarem um pouco as saudades...)

domingo, setembro 10, 2006

Regresso


Regressei. Depois de seis meses em terras italianas voltei para o meu cantinho “à beira-mar plantado”. Escrevo só agora por talvez me ter faltado a coragem de o fazer antes. Por ter medo de reavivar aquilo que, agora, parece não ter passado de um sonho. Apercebi-me que estava errada. Se falar disso sei que não foi um sonho, e posso dizê-lo a mim própria todos os dias.
Todos os dias há qualquer coisa que me faz lembrar Erasmus. Muitas vezes guardo-o para mim, pois muitas das pessoas que me rodeiam não iriam perceber aquilo de que estou a falar, a pensar, a sentir, a ter saudades. Falaram-me em depressão pós-erasmus…não quero pensar que seja isso. Mas tenho saudades, não o posso negar. É como se tivesse ficado em mim um “bichinho” que me diz para partir, para sonhar, para me aventurar, para abrir mão, para voar, para dançar, para gritar, para fazer algumas das coisas que deixei para trás sem me aperceber e, principalmente, sem saber porquê.
Assim, a cada dia que passa tenho um desejo novo, um novo objectivo, um “amor diferente”, um desejo insaciável de fazer tudo aquilo que me enriquecerá. E desta vez, não vou deixar nada para trás. Vou correr sem medo e conseguir. Porque eu quero, porque eu sei que é o melhor, porque eu o sinto. Vou voar, gritar, sonhar e reaprender tudo aquilo que deixei esvoaçar por entre receios e desleixos.
Um dos meus maiores desejos era poder dar a todos aqueles que me rodeiam um bocadinho daquilo que vivi, aprendi, cresci…mas não posso. A experiência é única e, por muito que fale, que grite, que “passe a mensagem”, só eu, e quem o viveu, poderá ter uma noção do que foi…e do que é.
“(…) vivia todos os dias, desde que regressara, com saudades cortantes desse ano, por saber que jamais voltaria a viver o que por lá experimentara. De tudo o que se recordava com um aperto no coração. Daqueles tempos, sentia falta da liberdade, do desprendimento, da novidade constante que era o dia-a-dia, da cumplicidade entre todos, do divertimento, da amizade…
Sempre que relembrava esses tempos, procurava transformar cada episódio numa reminiscência viva, real e palpável (…).” António Paisana, in Erasmus de Salónica.
É este o sentimento. Felizmente, para nosso bem, foi também este sentimento que nos fez crescer, mudar, enriquecer e…sonhar.
A vocês, que partiram ou vão partir para esta aventura, não se deixem levar por este lado um pouco mais triste da história. Fiquem felizes por saber que daqui a uns meses vão poder partilhar connosco a vossa experiência erasmiana…porque quando vocês voltarem, vamos estar aqui, sabendo exactamente cada bocadinho daquilo que estão a sentir.
Para vocês…*

terça-feira, julho 11, 2006

La partenza

Ho dimenticato di dire "ciao" quando stava partindo...
Perché tutti quello che ha passato sembrava impossibile di finire, di fermare...
Era quello che voleva...comunque, a Portogallo mi aspetavano con tanto amore che era impossibile dire "non tornerò più"...
Siena: ti ricorderò sempre, nel mio cuore, nel mio sangue, nella mia vita!
Piazza del Campo: che mai posso dire di te?Senza parole...
A voi: Vi voglio bene e mi mancano tutti!
*

sexta-feira, junho 23, 2006

ahhhhh

"It's not a question but a lesson learned in time..it's something unpredictable, but in the end is right..."
Estou novamente diante de um plano de estudos bastante duro mas a concentração está um pouco ou nada em baixo...tensão alta, tensão baixa, será que não podia ser só uma? Coração acelerado, suores frios, cansaço, olheiras, sentimento de incapacidade...tudo isto e mais um pouco.
Sim, não é um dia optimista (apesar da frase inicial, desta música que tanto me diz nestes tempos que passam...), ou melhor, não é um dia propriamente positivo. Deixei de ser pessimista (ou pelo menos tento pensar que sim). Para quê?
Vou à janela, sento-me no parapeito e observo o movimento desta pequenina cidade, mas que sabe tão bem o sentido de rumor (são os camiões do lixo às 7h da manhã quando tenho que deixar as portadas abertas porque tá um calor de morrer, são as obras a começar as 8h da manhã e que perturbam o bom ambiente da cozinha, são os tambores das contradas, todos os Domingos, as 11h da manhã, depois de uma bela noite de "divertimento"...qual não será a sensação?). Fico à janela, pois a vontade de voltar para o mundo do jornalismo italiano egocêntrico e nacionalista é muito pouca ou nenhuma...
E volta o cansaço, as olheiras, o sentimento de incapacidade...
Mas Erasmus não é só brincar e, por isso, vou voltar para a mesa da cozinha (lá vou ter que suportar o barulho das obras...) e estudar um pouco, se conseguir. Falha-me a concentração. Falha-me o incentivo e a motivação. Tudo seria mais fácil se não fosse aqui.
(...)
"I hope you had the time of your live..."
Dito e feito.

quarta-feira, junho 21, 2006

Saudades...

Red Hot Chili Peppers - Otherside

How long how long will I slide
Separate my side
I don't I don't believe it's bad
Slit my throat
It's all I ever

I heard your voice through a photograph
I thought it up and brought up the past
Once you've gone you can never go back
I've got to take it on the otherside

Centuriees are what it meant to me
A cemetery where I marry the sea
Stranger things could never change my mind
I've got to take it on the otherside
Take it onTake it on

How long how long will I slide
Separate my side
I don't I don't believe it's bad
Slit my throat
It's all I ever

(...)

Porque sim...*

segunda-feira, junho 12, 2006

Eu quero...

Porque é nestes dias em que se deve estudar e concentrar que me apetece escrever por tudo e por nada. Falta menos de um mês para toda esta aventura acabar e, quando penso nisso, sinto uma multiplicidade de sentimentos contraditórios. Por lado, a saudade que sinto das pessoas, dos lugares, das coisas que deixei “para trás”. Por outro, a saudade que também sei que vou ter destes momentos que vivi aqui em Itália, das pessoas que conheci e das experiências partilhadas. Volto a frisar, é um mundo aparte.
Estava sentada na minha secretária a resumir uns apontamentos de Marketing e a vontade que me dá é sair pela janela fora e voar um pouco, saborear o vento que hoje está um pouco mais forte…pode ser que ele me leve para longe destas tarefas que tão pouco me agradam. Mas como não tenho asas (e o vento não pode comigo) decidi escrever…
Sentimentos contraditórios, o coração bate mais rápido, a alegria, o espaço vazio…queria um balão voador, pode ser? Quando era pequenina acreditava piamente no Pai Natal, até ao dia em que comecei a perceber que as prendas não vinham da chaminé no dia 24 à noite (sim, porque eu tenho uma chaminé), mas iam sendo postas uma a uma, até ao dia da ceia de Natal. Mas não faz mal. Agradeço a quem me fez acreditar nesse ser que tanta alegria ainda hoje dá a tantas crianças no Mundo.
Poderia certamente afirmar que este texto está um pouco ou nada confuso mas como, por vezes, gosto de ir escrevendo o que penso o resultado foi este. Pouco me interessa. São pedacinhos de mim, partes do meu mundo que gosto de partilhar (mesmo que ninguém leia o que escrevo). Gosto de pôr tudo cá para fora quando sei que depois me vou sentir um bocadinho mais leve (não totalmente, porque há coisas que não podem ser partilhadas).
Tenho saudades dos meus pais, do meu mano, da minha casinha, da minha caminha, da comidinha portuguesa, das idas ao restaurante, dos almoços em família ao fim-de-semana, das brincadeiras do meu irmão, das brigas, dos meus primos “grandes”, dos meus priminhos lindos, dos meus tios…dos aniversários cheios de gente. Ai, aquele balão voador…
E depois corria, por entre prados inexistentes, por entre rochas difíceis de escalar, por entre rios sem maré, tudo em busca de um desejo insaciável de qualquer outra coisa que não esta. Não quero estudar. E, por isso, divago e vou procurando um alento…continuo a achar piada à ideia do balão voador! Acho que vou, mas não sei se volto…

terça-feira, maio 30, 2006

O mundo a meus pés...


Sento-me numa cadeira pronta para escrever. Um pedaço qualquer de papel perdido na imensa desorganização da gaveta da minha secretária. Não importa. É meu. Decido que vou escrever qualquer coisa. Pego no papel, olho para qualquer outro lado. Não tenho caneta, esqueci-me dela em casa. Não faz mal. Estou em Erasmus, não preciso propriamente de uma caneta. Precisava sim de uma memória filmica para poder guardar cada momento aqui passado.
Estou há muito tempo para escrever sobre esta grande aventura. Mas faltam-me, talvez, as palavras certas para descrever tudo aquilo que queria. Os momentos que passamos 24 sobre 24 horas, as risadas sem nexo, as brincadeiras malucas, as noites de loucura, as visitas tão desejadas, as partidas (por vezes dolorosas), as viagens, as novas amizades, as novas descobertas, os novos ensinamentos, as novas aprendizagens, o sentimento de “crescer”, de ser mais do que aquilo que éramos…e tantas outras infinitas coisas que poderia continuar aqui a descrever.
Se tivesse que voltar atrás não posso dizer que não faria o mesmo. É tão diferente, tão fora de tudo. É como estar numa espécie de “férias” em que tudo acontece ao máximo, em que tentamos aproveitar todos os minutos, todos os segundos, todos os milésimos de segundos. E não é apenas pela diversão, pelo “relax”, mas por todas as outras coisas que estão para além do explicável…talvez aqueles que decidam partir para esta aventura possam perceber aquilo que tento explicar.
Temos ainda pela frente um mês, que provavelmente vai ser o mês mais intensivo de toda esta nossa passagem por terras italianas. Neste momento, esta casa na Via Pispini nº3 é a minha casa, onde tenho as minhas coisas, onde durmo, onde me encontro comigo mesma, onde choro, onde “grito”, onde rio, onde partilho, onde festejo, onde também tenho saudades, onde passo horas e horas a fio…e, por isso, não quero já sentir a sua falta e de tudo o que ela me proporcionou e ainda irá proporcionar. Quero senti-la hoje, com tudo aquilo que ela tem. Porque também esta casa, e todos aqueles que nela habitam, passaram a fazer parte de mim (algumas ainda mais), a preencher ainda mais o meu coraçãozinho de manteiga…porque todos eles (tenho a certeza) partilham de todos estes sentimentos comigo.
Obrigado a vocês (que sabem bem quem são) por me terem ajudado em todos os momentos em que me senti um pouco mais sem força (não que não adore estar aqui, mas porque como romântica que sou, tenho tendência a deixar que as saudades me abalem um pouco mais), obrigada pelos sorrisos conjuntos, pelas noites tão bem passadas, pelos conselhos “estéticos” (esta é só para vocês minhas Torres), pelo “passe-parole” do Carpe Diem, por aturarem as rabugices, pelas conversas, pelo crescimento (que tenho a certeza que foi conjunto), por me “destressarem”, pela abertura de mentalidades, por tudo aquilo que dizemos uns aos outros sem medo e sem receio, porque as amizades são assim.
E porque Erasmus é muito mais do que isto e fico triste por não poder passar mais daquilo que sinto. Porque o que sinto agora é muito mais do que aquilo que consigo escrever. A memória filmica não é facilmente transportável para uma folha de papel e, por isso, deixo-vos, mas só por agora. Se pegasse em tudo o que já vivi e pudesse fazer um filme era tão mais fácil, tão mais alegre. Saber que poderia reviver esse filme a qualquer altura.
E quem sabe se não? Talvez qualquer dia me atreva…
Vou ter saudades tuas, Siena.
(Como uma verdadeira romântica)

sexta-feira, maio 26, 2006

Abraço

"Mais uma vez um abraço, aquele abraço de sempre
Aquele abraço que sente o que para sempre é segredo
Impaciente segredo e suave presença perdida em nós, despida em nós ..."

Aquela estrela

Porque quando duas pessoas se unem por tamanho laço a destruição não é fácil.
Estás longe, distante, mas cada vez mais sei que é contigo que vou ficar.
Porque o "mais" se resume a uma questão de tempo. Porque o tempo é aquilo que nos separa.
Porque o tempo é aquilo que nos irá unir...como dois corpos que bailam ao som da areia que voa.
Porque tu és como um mar que vejo ao longe, mas que desejo incessantemente.
E, um dia, vou ser novamente uma das tuas ondas, a maior de todas elas.
E aí, o destino está traçado, passamos novamente a ser inseparáveis.
Como aquela estrela, sabes?Aquela que brilha mais que todas as outras...sim, é a nossa.
Apeteceu-me. Pronto.
*