Preciso de um cofre de segurança emocional.
Por aí. Onde se cruzam amores e desamores. E perfumes, pulseiras. E lábios se tocam.
quinta-feira, março 19, 2009
terça-feira, março 10, 2009
Nada
Não. Estas palavras não vão ser nada do que estás à espera que sejam. Nada do que vou deixar aqui tem a ver contigo. Porque eu nunca me vou prender a ti. Porque eu nunca vou ficar à tua espera. Porque eu não quero isso. E, por isto, é que as palavras não são tuas. Não são para ti.
São pedaços. De um todo. Que agarras sem querer largar. Uma corda. Frágil, velha, prestes a partir-se com o tempo. Isto sim, é para ti. Para que entendas o que te quero dizer.
Quero-te. Mas isto não é para que leias. Não é sequer para saboreares. Não é teu. Não é para ti. O que resta daquilo que te quero dizer é explícito. Tudo o que não é para ti.
Apetece-me acabar assim: "Se ao menos me fosse permitido escrever só por escrever, se me fosse possível comunicar sem ter de procurar, quase obrigatoriamente, um objectivo para a comunicação!"
E hoje, não consigo escrever assim.
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
Instantes
Chave na mão. Senta-se ao volante. Chave na ignição. A mala, atira-a para cima do pendura.
- Não, hoje não levo a tua mala ao colo.
(A mala é gentilmente atirada para o banco detrás)
- Os homens queixam-se todos do mesmo.
- Por que é que com um carro de quatro lugares eu tenho de ir com a tua mala ao colo?
(Eu diria que a mala poderia ir no chão. Mas é nova! Será que os senhores conseguem perceber esse pequeno e grande pormenor? Quando ela já estiver velha, suja e pronta para ser posta de parte, pode ir para o chão. De outra forma, NÃO!)
(obrigada.)
:)
Bater à porta
Há dias assim. Em que o coração bate mais forte. O sangue corre mais depressa nas veias. Há uma sensação incómoda. Ansiedade. Nem sempre má. Os motivos não são maus, é verdade. Mas há incerteza. Há uma segurança interior que não se quer quebrar, na qual se acredita. Há valores e princípios intrínsecos. Ainda bem. Há pormenores que se tornam isso mesmo, pequenas coisas. E há gestos, momentos, tensões, que valem por muito mais. Há o arriscar, o querer mais, o desafio. A vontade de voar. De querer ser mais. Mais livre.
Haja o que houver, valeu a pena viver estes momentos. Eu vou estar aqui. Isso é certo. Posso ser isto, ou ser mais. Mas não vou sair daqui. Porque há valores. Há princípios. E esses eu não desprezo. Esses valem muito mais.
E a vontade de sonhar, essa, não a perco nunca.
domingo, fevereiro 08, 2009
Baú
Escrevo em pequenos blocos. Em cadernos. Em folhas de rascunho. E quero guardar tudo. Eu, pelo menos, tenho aversão a deitar palavras para o lixo. Não gosto. Hoje pus-me a pensar por que razão o faria. E percebi que gosto de recordar. Gosto de remexer as coisas antigas e reviver um pouco aqueles momentos, aqueles instantes. Porque na correria da vida, às vezes, os pequenos pormenores escapam-nos. Os gestos que, inconscientemente, acabaram por nos influenciar.
Eu sou assim. Gosto de sorrir enquanto releio uma frase ridícula. Gosto de chorar enquanto viajo pelas memórias da faculdade, pelos tempos em que ainda não sabia escrever. Gosto de remexer no baú dessas memórias. E, por isso, não gosto de deitar nada fora. Tenho livros de mensagens - inúmeros - quando o telemóvel só tinha memória para 15. Tenho diários à solta numa gaveta. Tenho livros de poemas infanto-juvenis que hoje me parecem estranhos. Tenho palavras soltas em livros dispersos. Tenho as notas. Mas são as minhas palavras. E sei exactamente a que se referem. É bom este sentimento de pertença.
E esta, é outra das razões porque guardo tudo o que escrevo. Hoje, pus-me a pensar, o que acontecerá a tudo o que eu for escrevendo e guardando ao longo dos anos. As pequenas divagações, os poemas de adolescente, os dizeres de amor, as pesquisas, as notícias, as notas. E pensei que seria maravilhoso, daqui a 100 anos, ter um familiar a remexer no meu baú. Naquele que vou deixar com todas as minhas palavras guardadas.
E ele não vai saber a quem ou a que é que determinadas palavras se referem. Não vai saber para quem foram escritas, com que intenção, com que intensidade. Com que entrega. Provavelmente, nunca irá puder falar comigo. Mas quando remexer as minhas palavras, vai saber que são minhas. E poderá construir-me a partir daqueles fragmentos. Poderá desvendar um pouco mais de mim. Não tenho a ambição de ganhar qualquer Prémio Nobel.
Basta que alguém me encontre no baú. E não deixe morrer as minhas palavras. Para que eu também fique por cá.
domingo, fevereiro 01, 2009
Aqui
- Foi assim que mudei. Que cresci.
- (Ciúmes.)
- Não te assustes com aquilo que te contei.
- (Não. Só queria ter lá estado.)
- Foi só para desviar a conversa.
- (O que eu queria era ter dado esses passos contigo.)
- Gosto destes momentos.
- (Tu não choraste. Eu fiquei a ver as lágrimas a escorrer pela face. Pela minha face.)
- Até já.
- (Até já. Quando o que eu queria era que hoje pudesses ficar.)
- (Fiquei aí.)
quinta-feira, janeiro 29, 2009
Entrelinhas
Sorrisos. Entre copos de vinho. Entre conversas banais, interrompidas. Por sorrisos. Intervaladas por momentos. Gargalhadas. E eu sou assim, transparente. Como o copo que ficou vazio. Ao final do dia, tenho tudo para contar. Descompressão. E do outro lado, há mais. Partilhamos assim um pouco do nosso mundo.
Sabes bem do que falo. O que quero dizer. O que não digo, mas está lá. Entrelinhas. E sabes que não páro de falar enquanto não me interrompes. E começas tu. Depois, tenho eu de interromper. Mas não faz mal. Nem um, nem outro dispensa os sorrisos.
E estou a sorrir. Aquele sorriso. Não sei qual é. Mas sei que é diferente. E não, não é do copo vazio. É mais. Há sorrisos assim. Simples. Infantis. Sinceros. Este meu sorriso é como aquele teu olhar. Genuíno. Sim, eu sei que mais ninguém sabe. E é por isso que está reservado.
Sou dona desse teu olhar. Pertence-me desde que o identifiquei. Gosto de pensar que podemos ser, pelo menos um pouco, donos daquilo que descobrimos e que todos desconhecem.
Assim, como te vejo, acho que não podia ser tua dona. Não queria. Nunca poderia dizer que me pertencias. Mesmo que te tivesse descoberto.
Afinal, os sorrisos são nossos. Os olhares partilhados. Tu dás-me pedaços de ti. Eu deixo que me respires. Mas ninguém é dono de ninguém.
(P.S. Qualquer pedaço de loucura é efeito do copo de vinho vazio)
terça-feira, janeiro 27, 2009
Palavras
Hoje, voltei a ler-te. As tuas palavras. Aquelas que escrevias quando ainda não éramos nós.
E tive saudades. Saudades do tempo em que ainda não éramos nós. E daí, talvez fossemos. Saudades de uma protecção sem segundas intenções. Um acreditar. Era isso. É isso. Faz-me falta essa vontade de sonhar, como tu sonhavas. Como ainda sonhas. Sempre no nível oito. É o teu muro. Eu sei.
Hoje, quando te li, tive saudades. Outra vez. Do teu escrever. Hoje, quando te li, tentei procurar-me nas tuas frases. Mas ainda não éramos nós. Éramos outra coisa.
Pedaços de frases, de palavras, de pensamentos. (Mas o que mais quis foi encontrar-me ali). Mas era cedo. Era outro tempo. Aquele foi o tempo reservado para os olhares, para a leve cumplicidade, era o tempo dos momentos. Das fracções de segundo em que ainda não éramos nós.
Hoje, somos. Já somos nós. E continuo com saudades das tuas palavras.
E tive saudades. Saudades do tempo em que ainda não éramos nós. E daí, talvez fossemos. Saudades de uma protecção sem segundas intenções. Um acreditar. Era isso. É isso. Faz-me falta essa vontade de sonhar, como tu sonhavas. Como ainda sonhas. Sempre no nível oito. É o teu muro. Eu sei.
Hoje, quando te li, tive saudades. Outra vez. Do teu escrever. Hoje, quando te li, tentei procurar-me nas tuas frases. Mas ainda não éramos nós. Éramos outra coisa.
Pedaços de frases, de palavras, de pensamentos. (Mas o que mais quis foi encontrar-me ali). Mas era cedo. Era outro tempo. Aquele foi o tempo reservado para os olhares, para a leve cumplicidade, era o tempo dos momentos. Das fracções de segundo em que ainda não éramos nós.
Hoje, somos. Já somos nós. E continuo com saudades das tuas palavras.
segunda-feira, janeiro 19, 2009
terça-feira, janeiro 13, 2009
O rio
"Não falaram enquanto caminhavam; iam ver o rio, isso ambos sabiam. Era o sítio deles. O local sagrado do primeiro beijo, das mãos que se tocavam mais longe, com o tempo, com o frio, que permite relativizar o desejo. Desceram sem cuidados, a terra batida, a serra ao fundo com a moldura de neve, o som do rio."
em No Silêncio de Deus, Patrícia Reis
domingo, janeiro 11, 2009
domingo, janeiro 04, 2009
O som
Sem planos. Sem tempo contado. Ou mesmo que existisse, não se dava por ele. Percorreram a cidade. Conversaram. Sorriram. Um copo. E dançaram. Devagar. Os corpos balançavam de forma simples. Sorriram. A cumplicidade era evidente. Era mais do que isso. O toque da mão no joelho. A música. Os olhos fechados e o sorriso. Genuíno. Verdadeiro. Tão absolutamente feliz. Ficaram assim. Até irem dormir. Em silêncio. Mas uma ausência de som simples. Tão simples. Ternurenta. Que lhe fez bem. Que a deixou bem.
I'll understand
And in a little while
He'll take my hand
And though it seems absurd
I know we both wont' say a word.)
sexta-feira, janeiro 02, 2009
sexta-feira, dezembro 19, 2008
Fuga
Vinha de carro. A sentir o vento nos cabelos, de cigarro de fora. Estava a chegar perto daquele momento em que poderia eventualmente cair qualquer coisa parecida com uma lágrima. Não devia demorar muito. Mudou de sentido. Fez um telefonema. A resposta foi "sim, quero!". Não pensou duas vezes. Pôs a música alta, alta mesmo. Naquela intensidade em que se ouve apenas o que se quer ouvir. A batida alegre. Foi a cantar. Deu boleia. E seguiu para o lugar combinado. O tempo passou a voar. Conversas. Sonhos partilhados. Desejos. Frustrações. Vontade de voar. Desabafar. Deitar cá para fora. Não a lágrima. Mas a saudade. O ritmo da conversa, sempre alucinante. Porque às vezes o melhor é esquecer, não pensar. Tinha saudades disso. De fugir. Tu estavas lá. E sabes o que isso significou para mim.
Beijo.
segunda-feira, dezembro 15, 2008
Pensamentos
"É preciso coragem para mudar, começando por nós mesmos. E isso, às vezes, é o mais difícil".
"O pensamento é livre como o vento."
Manuel Alegre
sexta-feira, dezembro 12, 2008
Na rua
Já pensei várias vezes nisto. No homem que, de vez em quando, dorme num abrigo de uma garagem ao pé de minha casa. Um pequeno buraco onde, há cerca de três meses, este senhor fecha os olhos, tapado por uma manta, sem deixar que se veja a cabeça. Um dia, vinha a chegar a casa, por volta das sete da manhã e estava este homem - não deve ter mais de 40 anos - a colocar um barrete na cabeça, a ajeitar a roupa suja e velha que tinha no corpo e a juntar os pedaços de cartão que o separaram do frio gélido, passo a redundância, do mármore onde se deitou. Pensei qual será o limite para que alguém tenha de dormir na rua. Sim, há o álcool, há a droga, há isso tudo. Mas as vezes não há nada disso. É o que me parece aqui.
Há o estar sozinho. Uma coisa que me assusta verdadeiramente. Não ter nem se quer alguém que nos abrace e diga - ainda que seja mentira - "vai ficar tudo bem". Hoje, senti medo. As notícias só falam de crise. Fala-se de apoios, de investimentos, de milhões. Mil milhões de euros. Despedimentos. "O próximo ano vai ser muito complicado". Não vai haver crescimento económico. Salvam-se os bancos. Não se sabe quando terão de se salvar mais. Medo. Acredito que nunca terei de dormir na rua. Mas assusta-me a ideia de o país estar à beira do abismo. Sim, sempre vivemos em crise, é verdade. Mas agora, parece muito mais do que isso.
Tenho medo. E gostava de ter coragem para descer as escadas, dizer àquele homem para subir, tomar um banho e oferecer-lhe uma chávena de chá bem quente, com torradas. Coragem para falar com ele. Provavelmente, continuaria a dormir na rua. Mas talvez o gesto o aquecesse e não precisasse daqueles pedaços de cartão velho.
(É por isto que sou de esquerda. Diz o Pedro Lomba no DN que é porque recebo mal. Não, não é por isso. O que não quer dizer que receba bem, recebo até miseravelmente.)
quarta-feira, dezembro 10, 2008
Simples
Sentada num café, a fumar um cigarro. A ler os jornais. Bloco de notas, caneta na mão. Rascunhos. Ideias. Pensamentos. Frases soltas, palavras baralhadas.
Olhar em redor. Famílias a tomar o pequeno almoço. Velhos a fazer palavras cruzadas. Crianças a brincar perto da água. O tempo está cinzento. À maneira dela, preenche os minutos e as horas.
O cheiro a castanhas assadas. Não está lá o senhor do costume. Senta-se no muro e olha para cima. Como num filme. "Já te disseram que és linda?"
quarta-feira, dezembro 03, 2008
Gelo
Sinto falta do sol de Julho. Dos passeios na Baixa com a brisa morna. Das cervejas geladas em tom de brinde ao pôr-do-sol, com o Tejo a sussurrar segredos lá em baixo. Do calor do Verão. Da praia. Da areia a queimar os pés. De sentar-me à beira-mar a ver o pôr-do-sol. De ter calor. de não precisar de casacos. Do corpo fresco. Dos finais de tarde. Do rio. Dos jantares com vinho tinto. Das manhãs longas. Dos dias intermináveis.
É irreversível este meu ódio pelo frio.
E mesmo em casa, à lareira, enrolada na manta. Faz frio.
terça-feira, dezembro 02, 2008
Desabafo
(Por que é que queremos sempre mais do que aquilo que realmente podemos ter?
Ou melhor, por que razão estúpida não contentamos com as coisas simples e boas?)
:)
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